A Bélgica fez exatamente o que uma seleção forte precisa fazer no último amistoso antes de uma Copa: venceu sem suspense, distribuiu gols e saiu com sinais físicos importantes. O 5 a 0 sobre a Tunísia, em Bruxelas, neste sábado, foi construído com gols de Leandro Trossard, Charles De Ketelaere, Kevin De Bruyne, Dodi Lukebakio e Nicolas Raskin. A notícia mais pesada, porém, ficou além do placar. Romelu Lukaku voltou a somar minutos, entrou no segundo tempo, ficou 25 minutos em campo e deu assistência.
Isso importa porque Lukaku chega ao Mundial em uma condição que exige cautela. Segundo a Reuters, o atacante fazia apenas sua segunda aparição pela seleção em um ano. Na terça-feira, ele havia marcado contra a Croácia em seu retorno. Contra a Tunísia, não começou jogando, mas tocou no lance que terminou no gol de Lukebakio. Para a Bélgica, que abre sua campanha na Copa em 15 de junho contra o Egito, em Seattle, ter Lukaku minimamente funcional muda o peso da área.
A goleada também teve outro nome central: Jeremy Doku. O ponta atuou pela esquerda, incomodou a defesa tunisiana desde cedo e participou diretamente de dois gols. Primeiro, criou a jogada que terminou no toque de Trossard para abrir o placar. Depois, já no segundo tempo, serviu De Bruyne para o terceiro, em chute de fora da área. Se existe um dado tático claro neste amistoso, é esse: a Bélgica não precisa ficar refém de posse lenta quando Doku consegue receber isolado e atacar no um contra um.
O placar conta uma parte da história
Amistoso de véspera de Copa costuma produzir interpretações exageradas. Goleada vira promessa de campanha brilhante; derrota vira crise. A leitura honesta é mais fria. A Bélgica enfrentou uma Tunísia que sofreu para conter Doku e ficou com dez jogadores aos 62 minutos, quando Ismael Gharbi recebeu o segundo cartão amarelo por falta no próprio ponta belga. Três minutos depois, Doku achou De Bruyne e o jogo virou goleada encaminhada.
Mesmo com esse contexto, o 5 a 0 não deve ser tratado como acidente. A Bélgica teve variedade. Trossard atacou a área. De Ketelaere marcou de cabeça após cruzamento de Youri Tielemans. De Bruyne apareceu na entrada da área. Lukebakio aproveitou participação de Lukaku. Raskin fechou a conta. Cinco gols, cinco autores diferentes. Isso é um sinal melhor do que uma noite em que um atacante resolve tudo sozinho.
| Item | Detalhe confirmado |
|---|---|
| Jogo | Bélgica 5 x 0 Tunísia |
| Data | 6 de junho de 2026 |
| Local | Bruxelas |
| Gols da Bélgica | Trossard, De Ketelaere, De Bruyne, Lukebakio e Raskin |
| Lukaku | Entrou no segundo tempo, jogou 25 minutos e deu assistência |
| Expulsão | Ismael Gharbi recebeu segundo amarelo aos 62 minutos |
Lukaku ainda é uma questão, não uma resposta pronta
O retorno de Lukaku é boa notícia, mas ainda não resolve tudo. Ele não fez uma única partida como titular pelo Napoli na Serie A nesta temporada, segundo a Reuters. Isso é um dado relevante, não detalhe de bastidor. Copa do Mundo não perdoa atacante pesado, sem ritmo ou incapaz de pressionar zagueiros. A Bélgica sabe o valor histórico de Lukaku, mas também sabe que reputação não corre por ninguém.
Por isso, os 25 minutos contra a Tunísia precisam ser vistos como parte de uma reconstrução curta e arriscada. Ele conseguiu participar de gol, o que ajuda. Mas a pergunta real é outra: quanto tempo aguenta em jogo de Copa, contra defesa mais agressiva e em ritmo competitivo? A Bélgica não precisa necessariamente de Lukaku por 90 minutos em todos os jogos. Precisa de presença, leitura de área e capacidade de transformar cruzamentos e segundas bolas em problema. Se ele entregar isso por meia hora, já muda o banco de reservas.
O placar foi amistoso no calendário, mas a mensagem da Bélgica foi competitiva: há velocidade pelos lados, gente chegando de trás e Lukaku voltando ao mapa.
Doku muda o desenho do ataque
A atuação de Doku talvez seja o recado mais útil para o técnico belga. Ele não foi apenas um driblador decorativo. Criou desequilíbrio real. Quando um ponta obriga o marcador a fazer falta, puxa cobertura e ainda serve companheiros em zonas de finalização, o sistema inteiro respira melhor. De Bruyne, por exemplo, não precisa carregar a jogada desde o início. Pode receber em posição de arremate, como aconteceu no terceiro gol.
Esse encaixe é perigoso para adversários do Grupo G. A Bélgica estreia contra o Egito em Seattle. Depois terá Irã e Nova Zelândia. É uma chave favorável no papel, mas Copa é especialista em destruir conforto teórico. Se Doku estiver em forma, a Bélgica ganha um caminho claro para quebrar blocos baixos: acelerar do lado esquerdo, atrair marcação e atacar a área com mais de um jogador.
Também há uma consequência para De Bruyne. Ele continua sendo o cérebro mais reconhecível da equipe, mas não precisa ser a única fonte de criatividade. Isso reduz a previsibilidade. Em torneio curto, previsibilidade mata. Seleções que dependem de uma única engrenagem costumam sobreviver até o dia em que o adversário decide travar exatamente aquela engrenagem. A Bélgica, contra a Tunísia, mostrou mais portas de entrada.
Tunísia sai com alerta antes do Grupo F
Para a Tunísia, o jogo foi um aviso pesado. A seleção está no Grupo F da Copa, ao lado de Suécia, Japão e Holanda. Nenhum desses adversários vai ignorar o que aconteceu em Bruxelas. A expulsão de Gharbi pesou, mas a dificuldade tunisiana já estava clara antes: problemas para conter velocidade no lado do campo, dificuldade em proteger a entrada da área e pouca capacidade de esfriar o jogo quando a Bélgica acelerou.
O amistoso final antes de um Mundial não serve só para testar escalação. Serve para expor fragilidades enquanto ainda há alguns dias para corrigi-las. A Tunísia terá de tratar a falta de controle emocional e a cobertura defensiva como prioridades imediatas. Jogar com dez contra a Bélgica em amistoso já é ruim. Fazer isso em Copa, contra Suécia, Japão ou Holanda, pode custar a campanha.
A Bélgica, por sua vez, sai com uma fotografia melhor, mas não definitiva. Golear a Tunísia não transforma automaticamente a equipe em favorita ao título. Mostra, sim, que há vida no ataque, que Doku está em ponto de ebulição, que De Bruyne segue capaz de decidir lances sem precisar de muito espaço e que Lukaku está voltando aos poucos. Para 6 de junho, era o bastante. A partir de 15 de junho, contra o Egito, a conversa deixa de ser preparação e passa a valer tabela.
