49,3%. Esse é o tamanho do tombo no valor de revenda de um carro elétrico comprado em 2022, segundo levantamento do IBV (Instituto Brasileiro de Valores). No mesmo período, um carro a combustão equivalente perdeu só 13,4%. Para quem pagou caro num elétrico achando que fazia um bom negócio, a conta na hora de vender foi amarga.

Mas os números contam uma história em movimento — e o final pode surpreender quem só lê a manchete.

O retrato da desvalorização por geração

A diferença entre modelos antigos e recentes é gritante. Veja a depreciação acumulada até maio de 2026:

Tipo de veículoDesvalorização
Elétrico (lançado em 2022)49,3%
Elétrico (lançado em 2023)45,6%
Híbrido25,2%
Combustão20,0%
Combustão equivalente (vs. elétrico 2022)13,4%

Quanto mais antigo o elétrico, pior foi a queda. Mas note: o elétrico de 2023 já desvalorizou menos que o de 2022. A tendência aponta para uma melhora a cada nova safra de carros.

A virada que ninguém esperava

Aqui está o dado mais surpreendente. Olhando apenas os últimos 12 meses, os elétricos registraram queda de apenas 5% — enquanto a média geral do mercado caiu 12%. Ou seja: hoje, na margem, os elétricos estão segurando melhor o valor do que a média dos carros a combustão.

Isso significa que o mercado está amadurecendo. A desvalorização brutal dos modelos de 2022 e 2023 foi uma dor de crescimento, não uma sentença permanente. À medida que a tecnologia se consolida e a confiança do consumidor cresce, os elétricos passam a reter valor como qualquer outro veículo.

Por que os primeiros elétricos despencaram

Dois fatores explicam a queda acentuada dos modelos antigos:

  • Política de preços dos fabricantes: a principal causa. As montadoras cortaram agressivamente os preços dos carros novos — especialmente as marcas chinesas que entraram com força no Brasil. Quando o carro zero fica mais barato, o usado despenca junto, porque ninguém paga por um seminovo quase o preço do novo.
  • Medo da bateria: a troca da bateria pode custar até 40% do valor do veículo. Esse fantasma assusta o comprador de usado, que teme herdar uma conta gigante. O receio derruba a demanda no mercado de revenda — mesmo quando, na prática, as baterias têm durado mais do que se temia.

O que isso significa para quem vai comprar

A lição prática é de timing. Comprar um elétrico de primeira geração (2022-2023) no mercado de usados pode ser um excelente negócio agora — o valor já caiu, e a tendência é estabilizar. Você compra barato um carro que o primeiro dono pagou caro e cuja desvalorização principal já aconteceu.

Comprar um elétrico zero exige outra conta: a desvalorização inicial ainda existe, mas é menor que nas safras anteriores. E o custo de uso compensa — energia é mais barata que combustível, especialmente com o petróleo pressionado pela tensão no Oriente Médio, que ameaça o preço da gasolina e do diesel.

A matemática do elétrico mudou. Há quatro anos, era uma aposta cara que desvalorizava rápido. Hoje, com preços mais acessíveis, desvalorização em queda e custo de uso baixo, a conta começa a fechar. O susto de 49% foi real — mas pertence ao passado de uma tecnologia que está, finalmente, encontrando seu lugar no bolso do brasileiro.

Leia também: Equatorial vence a privatização da Copasa com R$ 49,03 por ação; Aegea desiste. Balança comercial tem superávit de US$ 7,8 bi em maio, puxada por soja e cobre.