R$ 49,03 por ação. Foi com esse lance que a Equatorial — já sócia de referência da Sabesp — venceu a disputa pela privatização da Copasa, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, nesta quarta-feira (3 de junho). O resultado foi comunicado ao mercado no fim do pregão.
A vitória ficou mais fácil quando a principal concorrente saiu da mesa. A Aegea, que havia montado um consórcio com o fundo soberano de Cingapura (GIC), a Equipav e a Itaúsa, desistiu da disputa. O motivo: mudanças em alguns parâmetros do processo de privatização tornaram a operação menos atrativa para o grupo, que decidiu não seguir.
O que é a Copasa e por que ela importa
A Copasa é uma das maiores companhias de saneamento do país. Atende centenas de municípios mineiros com abastecimento de água e coleta de esgoto, sendo peça central da infraestrutura do estado. Sua privatização é uma das maiores do setor de saneamento desde o novo marco regulatório de 2020, que abriu o setor à iniciativa privada e estabeleceu metas de universalização até 2033.
Com a entrada da Equatorial — empresa que já tem experiência em energia e saneamento e atua como investidora de referência da Sabesp paulista — a expectativa do governo de Minas é destravar bilhões em investimentos para cumprir as metas de universalização. A promessa: água tratada e esgoto para quem ainda não tem.
O cronograma até a estreia na B3
A operação segue um calendário apertado de junho:
| Etapa | Data |
|---|---|
| Período de reserva (investidores não profissionais) | 5 a 9 de junho |
| Coleta de intenções (bookbuilding) | 5 a 10 de junho |
| Fixação do preço por ação | 10 de junho |
| Anúncio de início | 12 de junho |
| Início da negociação na B3 | 15 de junho |
| Liquidação financeira | 16 de junho |
O preço de R$ 49,03 ficou abaixo do fechamento da ação em 28 de maio (R$ 50,75), mas dentro da faixa estabelecida pelo novo prospecto, que fixou um piso de R$ 47,23. O investidor de varejo pode participar no período de reserva entre 5 e 9 de junho.
O que muda para o consumidor mineiro
A privatização levanta a pergunta inevitável: a conta de água vai subir? A resposta depende do contrato de concessão e da regulação da agência estadual. Privatizações de saneamento costumam vir com metas de investimento e teto de reajuste tarifário — a ideia é que a eficiência privada melhore o serviço sem disparar o preço.
A experiência recente é mista. A privatização da Sabesp em São Paulo, com a mesma Equatorial como investidora de referência, trouxe aceleração de investimentos, mas também debates sobre tarifas. Em Minas, os contratos preveem metas de universalização — se a Equatorial não cumprir, há previsão de multas e até reversão da concessão.
O movimento de privatizações no saneamento
A Copasa entra numa onda. Desde o marco do saneamento de 2020, estados vêm privatizando ou concedendo seus sistemas de água e esgoto para atrair o capital privado necessário às metas de universalização — estimadas em mais de R$ 700 bilhões de investimento até 2033 em todo o país.
A lógica é simples: o Estado não tem caixa para universalizar o saneamento sozinho, e cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a água tratada. A aposta é que o capital privado preencha esse vácuo — sob fiscalização das agências reguladoras. Para o investidor, saneamento é um ativo defensivo: demanda estável, contratos longos e receita previsível, mesmo num cenário de desaceleração econômica global projetada pela OCDE.
A estreia na B3 em 15 de junho vai testar o apetite do mercado. Num momento em que o Banco Central mantém a Selic em 14,75% e a renda fixa paga generosamente, atrair investidores para ações exige uma história convincente. A Copasa aposta na previsibilidade do saneamento para competir com o CDB. Em 15 de junho saberemos se o mercado comprou a tese.
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