A quinta edição da Olimpíada Nacional de Eficiência Energética, a ONEE 2026, abriu inscrições gratuitas para estudantes e professores de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. O registro começou nesta segunda-feira, 8 de junho, e pode ser feito até 15 de setembro no site oficial da competição. A informação foi divulgada pela Agência Brasil com base em dados da organização do certame.

A competição é organizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, por meio do Programa de Eficiência Energética, e coordenada pelo Instituto Abradee, ligado à Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica. Segundo a Abradee, a entidade representa 42 distribuidoras de energia, responsáveis por 99,6% da distribuição nacional. Nesta edição, 48 distribuidoras participam da olimpíada, cobrindo todos os estados brasileiros.

A pauta parece pequena à primeira vista, mas não é. O Brasil fala muito sobre tarifa, bandeira vermelha, matriz limpa e apagão, mas fala pouco sobre o consumo cotidiano que acontece dentro de casa, da escola e do comércio. A ONEE entra justamente nesse ponto: transforma eficiência energética em conteúdo de sala, jogo, prova e premiação. O objetivo é menos glamouroso do que uma obra de infraestrutura, mas bem mais direto para milhões de famílias: ensinar o estudante a entender o que consome, por que consome e como reduzir desperdício sem vender mágica.

Quem pode participar

A edição de 2026 amplia o público. Pela primeira vez, estudantes do 1º e 2º anos do ensino médio poderão se inscrever. Eles se juntam aos alunos da 8ª e 9ª séries do ensino fundamental, que já estavam no escopo da olimpíada. A participação alcança redes pública e privada, sem cobrança de taxa.

Os professores também entram no programa. Para eles, será oferecido um curso de formação gratuito com quatro módulos: eficiência energética, consumo eficiente, desenvolvimento sustentável e cuidados no uso da energia. Essa parte importa porque olimpíada escolar sem professor preparado vira só formulário, plataforma e medalha. O conteúdo precisa chegar à aula com alguma conexão real com o dia a dia.

A presidente da Abradee, Patricia Audi, disse à Agência Brasil que a edição deve mobilizar mais de 660 mil alunos. É um número alto para uma disputa temática, especialmente porque o assunto não tem o apelo imediato de matemática olímpica ou robótica. A aposta da organização é que games, quizzes e desafios deixem o tema menos abstrato.

Calendário da ONEE 2026

O cronograma divulgado coloca as inscrições abertas até 15 de setembro. Antes mesmo do fim desse prazo, os estudantes participarão de desafios entre 4 e 18 de setembro. A etapa terá jogos e questionários curtos para trabalhar conceitos de uso responsável da energia elétrica.

As provas online da primeira fase serão realizadas entre 21 e 25 de setembro. O resultado está previsto para a primeira quinzena de outubro. Os classificados seguem para a segunda fase, durante a Semana Olímpica, entre 9 e 13 de novembro. A cerimônia nacional de premiação está marcada para 12 de novembro.

EtapaData previstaO que acontece
InscriçõesAté 15 de setembroCadastro gratuito de alunos e professores
Desafios4 a 18 de setembroGames e quizzes sobre eficiência energética
Provas online21 a 25 de setembroPrimeira fase da competição
Resultado inicialPrimeira quinzena de outubroDivulgação dos classificados
Semana Olímpica9 a 13 de novembroSegunda fase e etapa nacional
Premiação12 de novembroCerimônia nacional da ONEE 2026

Os melhores estudantes recebem medalhas de ouro, prata e bronze. O aluno com melhor desempenho em cada estado ganhará um notebook e uma viagem para a Semana Olímpica em Brasília, onde ocorrerá o desafio final que define o vencedor nacional. Familiares e professores dos melhores colocados também participarão da cerimônia nacional, com despesas pagas pela ONEE.

Por que isso interessa além da escola

Eficiência energética é uma expressão que soa técnica, mas a tradução é simples: gastar menos energia para fazer a mesma coisa, ou fazer melhor com o mesmo consumo. Em um país continental, com clima quente, expansão urbana desigual e renda apertada, isso não é conversa de especialista. É conta no fim do mês, conforto térmico, geladeira velha, lâmpada ruim, aparelho ligado sem necessidade e escola tentando ensinar ciência com orçamento curto.

A fala da Abradee à Agência Brasil aponta nessa direção. Patricia Audi afirmou que a competição quer estimular os alunos a entenderem a energia elétrica como vida, desenvolvimento, prosperidade e dignidade. O tom é institucional, claro, mas o ponto é real. Energia não é só interruptor funcionando. É saneamento, internet, refrigeração de alimentos, transporte, indústria, estudo noturno e saúde.

A organização também tenta conectar a olimpíada à Base Nacional Comum Curricular, especialmente no campo de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Isso ajuda a tirar o tema da cartilha solta e colocá-lo dentro do currículo. O risco, como sempre em programas nacionais, é virar ação de temporada: muita chamada para inscrição, pouca continuidade depois. O teste prático da ONEE será mostrar que o conteúdo fica na escola quando a medalha acaba.

O papel das distribuidoras

A participação de 48 distribuidoras em todos os estados mostra que o setor elétrico vê a olimpíada também como política de relacionamento. Não há ingenuidade nisso. Distribuidora quer consumidor informado, mas também quer reduzir desperdício, inadimplência indireta e pressão política em torno da tarifa. Ao mesmo tempo, a escola ganha um conteúdo aplicável e os estudantes têm uma competição com premiação concreta.

Nesta edição, o Grupo Equatorial, representado pela Equatorial Piauí, aparece como empresa proponente da iniciativa. O Programa de Eficiência Energética da Aneel é o guarda-chuva regulatório. A diferença entre uma boa ação educacional e uma peça promocional está na execução: material claro, dados verificáveis, alcance real fora dos grandes centros e respeito ao professor que vai sustentar o conteúdo em sala.

Segundo a organização, a ONEE 2026 deve mobilizar mais de 660 mil estudantes e terá participação de 48 distribuidoras de energia elétrica em todos os estados.

O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou que iniciativas como a ONEE incentivam os jovens a se tornarem protagonistas de uma sociedade mais sustentável. A frase é protocolar, mas o desafio é concreto: o aluno precisa sair sabendo ler uma conta, entender consumo de aparelhos, reconhecer desperdício e discutir energia sem cair em slogan.

O que observar agora

Para famílias e escolas, o ponto imediato é simples: o prazo termina em 15 de setembro, mas os desafios começam em 4 de setembro. Ou seja, deixar para a última hora pode fazer a escola entrar atrasada na dinâmica da competição. Para professores, o curso de formação gratuito pode ser a parte mais útil, desde que venha com material aproveitável em aula.

Para o país, a ONEE 2026 é um lembrete incômodo: falar de energia só quando a tarifa sobe é tarde. Eficiência energética começa antes, na formação do consumidor e do cidadão. Uma olimpíada não resolve a estrutura do setor elétrico, não derruba a conta de luz por decreto e não substitui investimento pesado em rede. Mas pode fazer uma coisa que o Brasil costuma negligenciar: ensinar cedo que energia tem custo, impacto e valor.