Oito dias. É o tempo que separa o Brasil da sua estreia na Copa do Mundo 2026. O técnico Carlo Ancelotti anunciou os 26 jogadores que representarão o país na busca pelo sexto título mundial — o hexacampeonato que a torcida aguarda desde 2002.

O torneio é inédito em formato e localização. Pela primeira vez, a Copa do Mundo tem 48 seleções (antes eram 32) e é sediada em três países simultaneamente — Estados Unidos, Canadá e México. A fase de grupos começa em 11 de junho. A final acontece em 19 de julho no MetLife Stadium, o mesmo estádio onde o Brasil estreia.

O Grupo C: Marrocos, Haiti e Escócia

O Brasil caiu no Grupo C ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. No papel, é um grupo favorável. Na prática, Marrocos — semifinalista em 2022 e uma das revelações do futebol mundial — não pode ser subestimado.

O calendário do Brasil na fase de grupos:

  • 13 de junho: Brasil x Marrocos — MetLife Stadium, Nova York/Nova Jersey
  • 17 de junho: Brasil x Haiti — local a confirmar
  • 22 de junho: Brasil x Escócia — local a confirmar

Avançar em primeiro no grupo abre um caminho de mata-mata potencialmente mais favorável. A CBF está ciente disso — daí o foco máximo em vencer Marrocos na estreia.

Os 26 convocados por posição

Goleiros (3): Alisson (Liverpool), Ederson, Weverton

Defensores (9): Marquinhos (PSG), Gabriel Magalhães (Arsenal), Bremer (Juventus), Léo Pereira (Flamengo), Ibañez, Wesley, Alex Sandro (Flamengo), Douglas Santos, Danilo (Flamengo)

Meias (5): Casemiro (Manchester United), Bruno Guimarães (Newcastle), Lucas Paquetá (Flamengo), Fabinho, Danilo (Botafogo)

Atacantes (9): Raphinha (Barcelona), Vinícius Júnior (Real Madrid), Neymar (Santos), Endrick (Real Madrid), Gabriel Martinelli (Arsenal), Matheus Cunha (Manchester United), Luiz Henrique, Rayan, Igor Thiago

Neymar de volta — e o que isso significa

A grande notícia da lista é a presença de Neymar. Aos 34 anos, após quase dois anos de recuperação de uma grave lesão no joelho, o atacante voltou a jogar regularmente pelo Santos — e Ancelotti apostou nele. É a quarta Copa do Mundo de Neymar (2010, 2014, 2018, 2022) e possivelmente a última da carreira.

O debate é genuíno: Neymar em forma plena é o melhor jogador da história da seleção depois de Pelé. Neymar em ritmo de volta ainda não está no nível de 2022. Ancelotti parece ter escolhido a experiência e a liderança como aposta — um Neymar funcionando a 70% ainda vale mais que um desconhecido a 100%.

Endrick: o fenômeno de 18 anos

No outro extremo da lista está Endrick. O atacante do Real Madrid completa 19 anos em julho, mas vai disputar a maior parte da Copa com 18 — tornando-se um dos jogadores mais jovens a participar do torneio pela seleção. Nas últimas partidas antes da convocação, marcou três gols em quatro jogos, silenciando parte dos céticos.

O que Endrick representa é diferente de Neymar ou Vinicius: é a promessa do que o Brasil pode ser nos próximos dez anos. Uma Copa boa dele — mesmo que como reserva — vale como passaporte para os próximos ciclos.

Carlo Ancelotti: o técnico mais titulado do mundo no banco do Brasil

Ancelotti assumiu a seleção em maio de 2025, após o Brasil eliminar a contratação de vários nomes e o interino Dorival Júnior ser dispensado. O italiano, tetracampeão da Champions League pelo Real Madrid, aceitou o desafio com uma condição: liberdade técnica total para montar o esquema.

A aposta do torcedor é que Ancelotti traz o que faltou nos últimos ciclos: a capacidade de organizar uma equipe com muitas estrelas sem que o coletivo se perca. Com Neymar, Vinicius, Raphinha e Endrick no mesmo elenco, a gestão de egos é um desafio tanto quanto a tática.

O que esperar do Brasil nesta Copa

As casas de apostas colocam o Brasil como segundo favorito ao título — atrás da França, mas à frente de Argentina, Alemanha e Inglaterra. Com o novo formato de 48 seleções, a fase de grupos ficou mais fácil (apenas 3 jogos para passar de 4 times), o que reserva energia para o mata-mata.

O caminho até a final passa por três fases: fase de grupos (16 a 22 de junho), oitavas de final (a partir de 27 de junho) e quartas (a partir de 4 de julho). Para chegar à final em 19 de julho, o Brasil precisaria vencer 6 jogos seguidos — o mesmo número de qualquer Copa de 32 times, no mesmo prazo.

O hexacampeonato é o objetivo que une o país desde 2002. Se vier, virá com Neymar fazendo sua última grande jogada, com Vinicius em melhor forma da vida, com Endrick estreando no maior palco do futebol. Se não vier, a próxima Copa — 2030 — pode ter Endrick como protagonista absoluto. De qualquer forma, daqui a 8 dias o Brasil volta ao campo.

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